terça-feira, janeiro 30, 2007

Dias de Cão

O despertador do telemóvel interrompe os primeiros ares da noite, avisando-me de que é hora de tomar a pílula e obrigando-me a sacudir a preguiça. Arrasto-me do sofá até ao quarto, pego na mala e procuro aquela carteirinha azul cheia de furinhos. "Terça-feira. É isto!" - e acrescento mais um furo. Olhando melhor, apercebo-me de que falta apenas uma semana para entrar no período de pausa em que é suposto ficar menstruada. "Foda-se... lá vamos nós outra vez!!".
A partir daqui, e durante mais ou menos uma semana, será sempre a descer: vou pensar que ninguém gosta de mim, que estou sozinha no mundo, que ninguém me compreende, que sou feia, gorda e desinteressante... vou chorar vezes sem conta e comover-me com os filmes mais inócuos! E quando não estiver em modo depressivo, pior ainda: mando tudo e todos pró caralho, respondo a qualquer pergunta com um grunhido e recuso-me terminantemente a melhorar o meu mau humor!

Enfim... mas será que ainda ninguém encontrou uma cura para o TPM?

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Ah pois é...

Caramba... eu sempre disse que não ia tornar-me numa dessas blogueiras reles que não têm capacidade para escrever por eles próprias e, portanto, passam a vida a despejar para os seus blogs as mais diversas coisas que encontram por aí! Mas onde raio fica a originalidade no meio disto tudo?! É preciso algum esforço, eu sei, mas será assim tão complicado pegar num teclado e escrever qualquer coisinha que ainda não tenha aparecido já em 30 outros blogs?

Pois bem, meus caros amigos. Ando tão sem paciência para dar o meu contributo à humanidade via blog que decidi deixar-me levar pela tendência da estação. Ou seja, encontrei isto num espaço amigo e vou largá-lo para aqui. Era qualquer coisa deste género:

Se os coxos não dão aulas de maratonismo e se os surdos não ensinam música... porque raio hão-de os padres deitar-se a falar de sexo, abortos e outras coisas que tais?

Se um padre me vier com o discurso do... ah e tal, deitei uma freira debaixo de um chaparro, virei-a do avesso, emprenhei-a, depois levei-a a Badajós pra se livrar do raio do puto e estou arrependido por A + B... eu aceito. Até lá, deixem-se estar calados.

E, sim, sei que sou uma herege nojenta!

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Oração de Natal

A pedido de muitas famílias - ok, ok, é mentira, foi só a ruru -, resolvi voltar a escrever nesta coisa a que chamo blog. Não tenho muito tempo - se o patronato me apanha a escrever blogs no horário de trabalho estou fodida -, por isso vai uma coisa assim à Marcel Duchamp: um ready made. Sim, cambada de burros, é aquele que agarrou no urinol, o virou ao contrário e lhe chamou 'Fonte'.

Sem mais delongas, aqui vai. Não se esqueçam de rezar esta oração todos os dias antes de deitar:

sexta-feira, julho 21, 2006

AMIGOS

Parece que ontem foi dia da amizade. Parece que me esqueci. Parece que não disse a todos os meus amigos que gosto muito deles, que os adoro, que sem eles não sou nada. Parece que é desta que vou escrever um post sem caralhadas e patacoadas pelo meio.

Ainda no outro dia, numa conversa de bar, explicava a um amigo a displicência com que me relaciono com as outras pessoas. Para mim, vale a máxima "se gostarem de mim é porreiro, se não gostarem também não me preocupa". E esta atitude vem da certeza de que o meu alvéolo amizade está devidamente preenchido. Ou seja, quando temos a sorte de encontrar verdadeiros amigos, que nos preenchem e nos compreendem a cada dia que passa, todas as outras pessoas que possam vir são valor acrescentado. Para colocar as coisas de uma forma ainda mais simples: há sempre lugar para mais um e fico muito contente quando consigo juntar alguém à lista de amigos, mas aqueles que lá estão são suficientes para me fazer feliz se não vier mais nenhum.

Para todos os amigos, fica este belo texto de Vinícius de Moraes:

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor. Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários. De como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, trêmulamente construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ... Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.


Peço desculpa a todos os meus amigos, porque todos são importantes e ocupam um lugar especial na minha vida, mas não posso deixar de referir dois nomes em particular.

Tanita: a miúda com quem começei a desatinar no 7º ano, mas que rapidamente passou a integrar a lista de amigos especiais e é hoje uma das minhas melhores amigas. Depois de tantos anos, acho que já não conseguiria viver sem ela, sem as suas loucuras, as suas palmadinhas nas costas e as suas reprimendas.

Ruru: uma aquisição recente, mas uma grande aquisição. Esta menina é para mim o que os computadores são para os tempos modernos: vivemos sempre sem eles, mas agora que aqui estão já não conseguimos abdicar da sua presença.

Beijos muito grandes para todos os meus amigos. Vocês sabem quem são.

quarta-feira, julho 19, 2006

Walking in the rain, just walking in the rain

Pessoal,

Lá pelos vossos lados não sei, mas na Amadora caiu ontem uma chuvada desgraçada, com direito a pedradas no tejadilho do carro e tudo.

Estava eu a chegar a casa, com as janelas do carro fechadas e o ar condicionado a bombar, quando de repente as trevas se abateram sobre mim. O céu ficou escuro como breu e começaram a cair umas senhoras gotas de chuva. Uns quantos segundos depois, vi o relâmpago e logo a seguir o trovão. "Porra", pensei com um sorriso na cara, "estou mesmo debaixo dela". Rapidamente as pingas se transformaram num dilúvio, deixando-me ainda mais maravilhada. Gosto de chuva em geral, mas as chuvadas de Verão são das coisas de que mais gostava quando era pequena. No Inverno ficamos ensopados e enregelados, especialmente se estiver vento, mas no Verão o caso muda de figura. Aliás, com o calor que se tem sentido nos últimos dias, um pouco de água a correr-me pelo corpo até sabe bem.

Foi a pensar nisso que, depois de estacionar o carro, me atrevi a abrir a porta e a sair para o meio da rua. Parecia uma cena de filme barato. Os vizinhos que tinham chegado ao mesmo tempo que eu deixaram-se ficar dentro dos respectivos carros, a ver a chuva a cair, mas sem audácia suficiente para sair cá para fora. Pois eu saí. Agarrei o touro pelos cornos, enfrentei os olhares acusadores e vim a caminhar lentamente pelo meio da estrada. Não foi preciso muito tempo para ficar praticamente encharcada, pois ela caía como deve ter caído no tempo da arca de Noé.

Infelizmente, nem tudo pode ser perfeito. Estava mesmo a gostar de sentir a água a correr-me pelo corpo abaixo, até que levei com uma pedra na cabeça. Aparentemente lá em cima estava frio, porque começou a cair granizo. E não pensem que eram daquelas pedrinhas pequenas que não aquecem nem arrefecem. Aquilo doía mesmo! Contrariada, lá me rendi a caminhar por baixo das varandas e segui para casa. Subi as escadas e fui-me plantar à janela, com a minha mãe a gritar-me que o chão estava a ficar todo molhado. Quero lá saber da poça que deixei no chão! O que importa mesmo é que andei a caminhar à chuva. Pensando bem, acho que devia ter aproveitado para cantar qualquer coisa.

:)



PS:
Já agora (não tem nada a ver com isto e até me vai estragar um post tão lindo), mandaram-me uma imagem que retrata bem a minha situação futura. Com os sucessivos aumentos aos preços do tabaco, qualquer dia vou ter de começar a poupar. Para quem estiver intessado, fumo LM Lights (... ai, não, agora não se diz isso...) fumo LM Azul e costumo andar com o rabinho lavado.


segunda-feira, julho 17, 2006

De Air Pato para Ermesinde

Para o meu amigo Blonga, uma prenda atrasada em forma de post demente. Eu sei que não lhe consigo chegar sequer aos calcanhares quando se trata de textos alucinados, mas vou tentar com todas as minhas forças. (A ver é se não me cago toda com tanta força...)

Os gajos da rádio estavam a anunciar uma semana quente. Mas uma daquelas mesmo quentes, tipo quente com'ó caralho, que nem nos deixam respirar e nos impedem de dormir durante dias a fio. E foi por causa desses dias todos sem dormir que eu começei a delirar, já sem saber muito bem de que terra era. Mas de repende lembrei-me: eu cá sou de Ermesinde! Sim, daquela terra de onde vêem as gajas boas, mesmo boas, mas boas daqueles que não há noutro sítio, podres de boas, como só são as gajas de Ermesinde. E então disse-me a voz da consciência:

Ó minha granda labrega, mas se tu és de Ermesinde, então quer dizer que deves ter amigas boas, daquela estirpe de gajas boas que se devem apresentar aos amigos.

Eh pá, disse eu, essa merda é muito além. Mas como é que eu não me lembrei disso antes. Ah, granda consciência, tu és um espectáculo. Isso vem mesmo a calhar, logo agora que o meu amigo Blonga está triste porque a nossa Rurua está lá longe nos Algarves, a lamber festa atrás de festa. Coitadinha... é que são 24H de festas, sempre a bombar. Ok, mas não vamos desesperar. Se ele faz anos e não tem cá a tresloucada da Rurua, então lá terei eu de fazer alguma coisa para o animar. Já sei, vou-lhe falar das gajas boas. Hmmm..., o que dizes tu, consciência?? Hei, não é preciso chamar nomes, tá?

Fdx, ó minha grande puta, grande vaca, mas que raio de amiga me saíste tu? Falar-lhe das amigas?? Isso só o vai deixar com uma grande ponta e nada para o aliviar da testosterona contida. Olha que tu vai por mim, levas mas é o Blonga a Ermesinde!!!

Ahhhhhh!! Percebi.

Então, já mais elucidada pela minha amiga consicência, montei-me num pato C3 de dois lugares e fui buscar o Blonguinha. Primeiro, claro, tive de passar pela bomba de fuel-pato para atestar o depósito e rever óleo das patas-travões. Estava tudo em ordem. Então, passei no tasco do Blonga (para quem nao sabe, fica lá prós lados do estádio da Lamparina Fluorescente), ajudei-o a fazer o check-in e lá fomos nós a voar pelos céus vermelhos de Portugal. Passado pouco tempo, a torre de controlo da Air Patos avisou-nos que, devido ao mau tempo, tínhamos de ir dar uma volta maior, mais precisamente pelos céus de Madrid. Pá, eu fiquei preocupada por causa do fuel-pato, que se calhar não chegava para tanta volta, mas o Blonga mandou-me cagar no assunto e eu fui. Como não sabia o caminho, deixei que fosse o meu passageiro a indicar as voadelas.

Sim, comandante, é para continuar em frente. Sim, por ali, tenho a certeza. ... Não... afinal não era por ali. Faz marcha atrás na auto-céu. ... Não, não tens nada que te preocupar com os gajos que nos vêem a seguir. Eles que façam marcha atrás com o pato deles também.

Um pouco mais à frente, quando já estávamos a sobrevoar Madrid, o Blonga diz-me rapidamente: Ahhh, não é 9B. Com o safanão que lhe dei, o pato assusta-se e entra numa pirueta invertida, caindo a pique em direcção ao solo. Felizmente que lhe verifiquei o óleo das patas-travão e aquilo funcionou a tempo. Conseguimos aterrar sem grande problema. Entretanto, apercebo-me de que não estava em Madrid coisa nenhuma, pois toda a gente sabe que em Madrid não se dança na autopista. E aquilo que nós encontrámos foi um grupo de marcianos, acabados de chegar do planeta vermelho, a dançar ao som de uma música muito estranha, que soava sempre ao mesmo durante horas seguidas.

No meio disto tudo, a minha barriga começou a fazer barulhos estranhos e eu percebi que estsva com fome. Felizmente que encontrámos logo ali ao lado uma Família Feliz. Sacámos dos pauzinhos e, à medida que eles iam saindo do carro, servíamo-nos à vontade. Eram tantos que passado um pouco já estava farta e resolvi voltar a atestar o pato para seguir viagem. Já era tarde e nunca mais chegávamos a Ermesinde. Com um bocadinho de sorte, apanhámos um Benefica, Benefica, que é como aqueles senhores chamavam às bombas de fuel-pato. É fácil de encontrar. Basta procurar o sinalizador verde fluorescente.

Rapidamente, enchi o pato e ala que se faz tarde. As condições atmosféricas já tinham melhorado e rapidamente chegámos a Ermesinde. O Blonga ficou maluco.

Eh pá, com mil caralhos... Aqui há gajas mesmo boas. Vou-me já a elas, vou-me já a elas!!!

Mas, quando o meu amigo se estava mesmo mesmo a preparar para agarrar numa gaja boa, alguém ligou a ventoínha do meu quarto, eu fiquei mais fresca e acordei do delírio. Afinal eu não sou nada de Ermesinde. Sou da Amadora City, onde as gajas não são nada boas, mas sim daquelas ranhosas, a cheirar a mofo, feias como um susto e com mau hálito. O Blonga ficou tão triste com esta reviravolta que me mandou passear e acabou por não fazer nada para os anos dele. Raios partam as ventoínhas!!!

sexta-feira, julho 14, 2006

A incontornável imperfeição do Ser

Muitas vezes ao longo da minha vida, especialmente quando ainda era pequena e não percebia nada de nada, me perguntei para que servem certas funções do nosso corpo. Pergunto-me se quem nos fez era um grande cabrão, que resolveu lixar-nos a existência com uma série de incomodidades que não temos maneira de contornar. Se fosse eu a construir o modelo, muita coisa seria diferente. No meu mundo perfeito...

A cerveja não fazia mijar. Poupavam-se assim as filas intermináveis à porta da casa de banho, o deperdício de tempo, os esgares de aflição porque a menina da frente nunca mais se desenrasca lá de dentro, as mãos cheias de papel higiénico, a água com que mandamos a micção pelo cano abaixo, a poluição dos rios e mares...

A cerveja não embebedava, assim como as demais formas de álcool. Em condições perfeitas, o álcool nunca daria mais do que aquela agradável sensação Zen, que conduz a estados de saudável insanidade mental.

A ressaca seria um mito. Nunca haveria necessidade de lançar no mercado um tal de KGB, nem um outro conhecido como Guronzan, porque ninguém acordaria no dia seguinte com a sensação de lhe terem passado com um camião por cima. Vómito, boca seca e dor de cabeça seriam apenas produtos de uma imaginação prodigiosa, assim como o são as fadas e os dragões voadores.

A comida não se transformava em merda passado pouco tempo. A necessidade de ir a correr para a casa-de-banho seria eliminada e nunca mais teria de pensar na inutilidade de gastar dinheiro com uma coisa que, dali a pouco, estaria a ir pelo cano de esgoto abaixo. Aliás, a alimentação não seria uma obrigação, mas sim um acto de deleite e prazer oral, a empreender apenas quando me apetecesse e não quando me começa a doer o estômago. As bufas, consequentemente, deixariam de tornar o ar insalubre, pois, na ausência de merda, não cheirariam mal. Seriam, chamemos-lhe assim, um suspiro das entranhas.

As unhas não cresciam mais do que o esteticamente desejável. Nunca mais ninguém teria de se curvar sobre si mesmo, de tesoura em riste, tentando ceifar as unhas dos pés. Nunca mais passaria pela irritação de não conseguir acertar com as letras do teclado porque me esqueci de cortar as unhas das mãos. As arranhadelas nas pernas e nas costas do parceiro deixariam de ser um problema.

Ninguém precisava de dormir, a não ser quando nos apetecesse dar uma de ócio. Não haveria mais perdas de tempo, ninguém se queixaria das inestéticas olheiras, nunca mais eu iria sangrar do nariz porque ando a dormir mal, os dias seriam mais longos e produtivos.

Os pêlos dos sovacos nao cresceriam, à semelhança das unhas e dos demais pêlos que temos espalhados pelo corpo. A tortura da cera terminaria e a gillete deixaria de existir. Os púbicos seriam igualmente inexistentes e nunca mais se veria alguém, com ar enojado, a palitar os dentes no pós-oral.

Digam-me lá se não fazia muito mais sentido?

quarta-feira, julho 12, 2006

Demasiado bom para não partilhar

É pá, este rap está de cagar a rir. Gato Fedorento no seu melhor:

Rap dos Matarruanos by Gato Fedorento

segunda-feira, julho 10, 2006

Ode às férias


Um belo dia a Navegante acorda e percebe que o seu blog está a morrer aos bocadinhos. Ainda vai conseguindo respirar, mas agoniza no seu leito. Então, num rasgo de humanidade e altruísmo, a Navegante resolve dar-lhe um daqueles choques que se vêem na televisão. A linha que marca o bater do coração, que já quase não se mexia no monitor, começa a revelar ténues sinais de vida. E eis que a Navegante volta a escrever. Milagre, meus amigos, puro milagre!!!

Tenho andado uma calona da pior espécie. Sem grande vontade para escrever e sem grande tempo também. Mas agora sinto-me revigorada, sinto que posso tomar o mundo pelos cornos, que a vida é bela e amarela. E apetece-me escrever. Para dizer nada, é verdade, mas apetece-me dar um sinal de que ainda não morri. Aliás, longe disso.
Depois de umas mui ansiadas férias, voltei com o espírito em alta. Aqueles dias passados à beira da piscina fizeram maravilhas, a espreguiçadeira devolveu-me anos de vida, as noites bem dormidas conseguiram apagar as olheiras de anos e a pele bronzeada faz-me sentir mais sexy. Depois de anos sem umas férias decentes, redescobri a maravilha das férias à parolo. Os últimos anos foram passados nos quatro cantos da Europa, entre as ruas de Sarajevo e as mesquitas de Istambul, onde enchia o espírito de sabedoria milenar, a barriga de pratos locais, a carola de álcool e de sono… Enquanto isso, negligenciei os efeitos curativos de uma semaninha em Albufeira. Convenhamos, aquilo não tem nada de interessante para ver, nada que te faça calcorrear ruas no pico do calor, portanto, o que te resta são sopas e descanso. Agarrei em mim, trasladei-me para um daqueles hotéis com tudo lá dentro - cama, restaurante, bar, supermercado, piscina e praia a 500 metros - e deixei-me ficar. O máximo que concedi foi levar um livro de David Lodge para me entreter. Nada de coisas que exijam demasiada actividade cerebral. Hoje estou tipo Fénix - renascida das cinzas.

Só de me lembrar da minha querida









sinto a energia a voltar.

segunda-feira, junho 12, 2006

Caracolada e sardinhada, o melhor que há na vida!

Eram para aí umas 17h quando finalmente saí de casa. Pelo trânsito, que se previa caótico, percebi logo que ia chegar atrasada ao meu próprio jantar de anos. Depois dos minutos exasperantes que marcaram a minha breve passagem pela 2ª circular, decidi cortar para a Av. Lusíada e abandonar o carro perto da Cidade Universitária. Sim, porque abandonar é o termo correcto. Larguei-o no primeiro buraco que encontrei e corri para o metro, certa de que assim o trajecto seria mais rápido. Mas não, também ali esperei e desesperei, enquanto as carruagens rolavam calmamente pelos carris, parando para deixar entrar o povo que seguia para o lar, doce lar. Umas quantas paragens mais tarde, mudei novamente de rumo e fui apanhar um táxi ao Saldanha. Já que ia chegar atrasada, pelo menos não cansava as pernas a correr e a subir escadas. Malogradamente, apanhei um taxista daqueles que gosta de intrujar as pessoas, que me queria levar pelo caminho mais longo. “Nah, nah, nah!”, apressei-me a advertir, “vamos ali pela praça da Alegria e depois descemos a rua de S. Bento”. Acedeu com um grunhido e lá fomos.

À chegada ao tasco dos caracóis, já lá estavam alguns dos convivas, de caracol à frente e cervejinha na mão. Cumprimentei, beijei, dei um ar da minha graça, agarrei na imperial com um mão e com a outra fui chupando os caracóis. A coisa estava a correr bem. Mais uma travessa de pica-pau e mais uma garrafa de Casal Garcia. No meio disto tudo, os meus queridos amigos resolveram tramar-me. Enquanto a M. me arrastava para a rua, os restantes cabrões enchiam-me o copo de sal. Eu bem que desconfiei quando vi a quantidade de espuma que aquilo tinha, mas (grande menina!!) achei que eles não me faziam uma coisa daquelas. E vai daí, mandei a baixo o primeiro penalty da noite. Blargh… só de pensar nisso me arrepia! Depois deste, muitos mais copanázios haviam de ser emborcados, especialmente pela minha T., que até hoje ainda não aprendeu a aguentar o álcool no estômago. Certo é que a minha menina já não bebia há algum tempo, mas não há memória de cadelas tão grandes como as dela. De cada vez que olhava para ela, estava de nariz virado para cima, copo ao alto e líquido a descer. O resultado não poderia ser outro: vomitou o mundo aos pés da R., que, coitada, já não sabia onde se meter.

Colocando o relato em fast-forward, chegamos ao Plateau.
Já a T. estava na cama e ainda nós andávamos a fazer das nossas no nosso espaço de eleição. As músicas iam-se sucedendo e nós estávamos todos a vibrar. Corpos em movimentos, loucuras à flor da pele e muita alegria para comemorar o aniversário aqui da gaja. Antes da noite acabar, ainda tive tempo de presentear os convivas com mais uma das minhas cenas dementes. Ora fechem lá os olhos e imaginem: o Plateau a abarrotar de gente, eu descalça e de saia, a C. à minha frente a fazer-me olhinhos, eu a dar os sapatos à M., a arregaçar a saia, a pôr-me de joelhos e a caminhar para ela ao mais belo estilo Dirty Dancing. Bonito? Não, bonito mesmo foi quando a R. se foi pôr de pé à minha frente, com a xona perigosamente perto da minha cara, e nos lançámos num movimento muito tórrido. Não me lembro de ter olhado em volta, mas aposto que nesse momento o nosso grupinho esteve no centro das atenções. :)

Mais um fast-forward e viajamos até casa da R.
Estão a ver a praga de traças que tomou conta de Lisboa há umas semanas atrás? Pois, na casa da R., também havia disso. Sem mais apetrechos à mão, munimo-nos de uma esfregona e de uma vassoura para não dar tréguas à pobre traça (paz à sua alma) que teimava em não se deixar apanhar. Mas que cenário tétrico, meus amigos: a R. só de cuecas e eu ainda vestida, a desferir golpes no ar! Pior, pior, só mesmo quando eu finalmente me despi e fui encontrar agarrada à mama, uma folha das rosas que povoaram o meu decote durante toda a noite. Era só mesmo o que me faltava depois da caça à traça – musgo a crescer-me nas mamas!!!

Despi-me, enfiei-me na cama, troquei as últimas impressões com a R. e dormi o sono dos justos. Tudo está bem quando acaba bem.

Obrigada a todos por terem estado comigo. Obrigada por me aturarem as loucuras. Obrigada por não me deixarem beber sozinha. Obrigada mesmo à T., que teve a nobreza de apanhar uma real bezana no meu aniversário. Obrigada a todos. Gosto muito de vocês.


...


E agora, caralho, deixemo-nos lá de paneleiragens e de lamechices e vamos mas é prós Santos populares, prá sardinha assada e prá a bela da imperial fresquinha. Amanhã vou trabalhar bem cedinho, mas hoje ninguém me apanha em casa. Já agora, se por acaso me encontrarem caída no chão e vomitada até ao fio dental, levantem-me e arrastem-me para a próxima tasquinha. E já agora, se não for pedir muito, quando forem 6 da manhã, levem-me para o Atrium Saldanha, enfiem-me no elevador e carreguem no 10. Agradecida.

quinta-feira, junho 01, 2006

Mas eu hoje faço anos, carago!


Boooooommmmmm diiiiiiiaaaaaaaaaa,

Mas... porque raio está ela tão contente hoje, perguntam vocês, apanhados de surpresa por esta explosão de energia logo pela manhã. Pois, respondo eu, é que eu hoje faço anos, sou pequenina, mereço beijinhos,... E VOU APANHAR UMA CADELONA DO TAMANHO DO MUNDO!

Quando eu ainda era pequenina, a minha mãe ensinou-me que as meninas educadas não fazem "broches" a elas mesmas. Portanto, isto de estar aqui a dar-me a mim própria os parabéns atenta contra os ensinamentos que me seguem praticamente desde o berço. As pessoas devem ser humildes, dizia ela, longe de pensar que dali a uns anos eu iria seguir à risca os seus conselhos. De facto, nunca na vida, nem sequer de mansinho, fiz um broche a mim mesma. Já aos outros... Catano, pá, eu gosto de fazer broches, e agora!!

Traz!Paz! (onomatopeia para estalos) Pára com isso, caramba, ainda no post passado falaste de broches.

É verdade, voz da consciência, minha sensata amiga, vou já parar com este deb(r)oche.

Adiante. Apesar de toda a diligência da minha progenitora, eu nunca consegui ser uma boa menina. No máximo, terei sido uma boa menina-que-tem-a-mania-que-é-gajo-e-só-fala-como-os-gajos-e-só-fala-de-broches-e-de-sexo-como-os-gajos-e-diz-marchavas-cá-com-uma-pinta-como-os-gajos. Portanto, para me manter fiel a mim mesma, caguei para essa merda toda e resolvi fazer um monumental broche a mim mesma. PARABÉNS A MIM!!!! MUITAS FELICIDADES! GOSTO TANTO DE MIM! Ora, bolas, mas não andei eu uma vida inteira a ouvir o chavão "se não gostares de ti, quem gostará", que ainda por cima foi tirado de um anúncio de que já não me lembro, mas que devia ser foleiro. Então está na hora de exercitar. Gosto muito de mim, olh'ó caralho! E gosto muito mesmo. Estou sempre lá para mim nas horas de felicidade e nas mais complicadas, sou a minha melhor confidente, aquela a quem conto todos os meus segredos mais bem guardados, faço-me rir com o meu sentido de humor tão especial, de vez em quando dou-me beijinhos e abraços... bom, bom, bom, é melhor ficarmos por aqui, senão não tarda nada estou a confessar que...

não, pára... pára, estás a ouvir... não vais nada contar aqui... não, não interessa se no outro dia ao almoço também estavam todos a falar e a conversa surgiu... não interessa nada que toda a gente seja igual, mas não tenha coragem para admitir... pára, já te disse... ninguém quer saber que aos 14 anos já andavas a fazer explorações digitais.

Errr... Pronto, agora é que a fizeste bonita.


Bem, já chega de ajavardar este post. Já bem chega o que escrevi até aqui. Queria apenas comunicar que dia 2 de Junho faço anos e que estou contente com isso. E porque este é um dia especial para mim, espero que toda a gente fique bem. Desculpem lá o texto alucinado, mas olhem para ele como uma espécie de prenda da minha parte. É a única coisa que tenho para dar: a minha enorme demência.

Beijos para toda a gente que gosta de mim. Os que não gostam de mim? Pois, esse que se... ou melhor, que não fodam.

Até jaááááaááááaááááaáááá

quinta-feira, maio 25, 2006

Voltei!!!

Olá meus amigos,

A pedidos de muitas famílias e de muitos alcoólicos que por aqui têm passado, vamos lá então reabrir este espaço. Que é lá isso, meu amigo Pim, por aqui não há enterro nenhum e os cravos lá de cima não hão-de murchar jamais! Trabalho novo? Pois, não sei se lhe chame isso, mas mais trabalho... ai, isso é de certeza. Nos últimos tempos, fui para a Assembleia da República à procura de gambuzinos, passei o dia numa maternidade a olhar para grávidas que não pariam e choquei de frente com um assessor da CML. Porra, pá, tenho tido uma sorte maluca.

Isto, claro, no plano profissional. Do lado social, as coisas foram bastante mais prazerosas. Muitos caracóis, outras tantas cervejinhas frescas e borbulhantes, duas semanas académicas e muita loucura. E depois disso tudo, um febrão e uma constipação que me deixou cheia de ranhoca até ao tutano. E, por falar em ranhoca, reparei que nos dias em que ando de narigueta entupida pareço um peixe fora de água. Ora pensem lá comigo: se o nariz está entupido, tenho de respirar pela boca, certo? Se estou a comer, tenho a boca ocupada, certo? Pois! Comer e respirar pelo mesmo orifício é, por estes dias, uma coisa que me custa muitíssimo. Fazer broches está portanto fora de questão!!

Já está. Já avacalhei o meu blog. Agora vou trabalhar um bocadinho. É para isso que me pagam, afinal. Tenham um bom dia. Eu voltarei em breve.

terça-feira, abril 25, 2006

O MEU FERIADO FAVORITO


Olho para o relógio, que ronda as 6 da madrugada. A esta hora já devia estar a dormir há muito tempo. Mas estou de férias. E nas férias fico acordada até mais tarde, da mesma forma que durmo até mais tarde. Acabei de vestir o pijama e a cama já está aberta, por isso só falta mesmo que eu me deixe escorregar para o meio dos lençóis e este dia terá terminado. Para mim... Para o resto das pessoas, aquelas que se regem por um fuso horário convencional, o dia está mesmo agora a começar.

O relógio ronda as 6 da madrugada. A madrugada do dia 25 de Abril! Este é o meu feriado favorito desde que me conheço como ser pensante e não queria partir para a maratona de sono sem deixar de o dizer. Bem vistas as coisas, este é o primeiro 25 de Abril deste cantinho e isso merece ser celebrado.

A RTP recuperou esta noite o concerto do Zeca Afonso no Coliseu. Sabem? Aquele que termina com "aquela canção muito recente, que se chama Grândola Vila Morena". Por mais vezes que a ouça, os pêlos dos braços hão-de sempre começar a encrespar-se logo aos primeiros acordes. Enquanto faço, mentalmente, um brinde à Revolução, à Liberdade de Expressão e à Liberdade de Imprensa, deixo-vos com a letra, para que se arrepiem um bocadinho comigo.

FELIZ DIA 25 DE ABRIL

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra d’uma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

Zeca Afonso

quarta-feira, abril 12, 2006

Diários de la Carrinha: INTRODUÇÃO

Os preparativos para Barcelona começaram logo no dia anterior à partida, com uma incursão nocturna às superfícies comerciais. Na segunda-feira à noite organizámos a peregrinação ao Continente do Colombo, porque a viagem era já no dia a seguir e era preciso tratar dos víveres. Corredor após corredor, lá fomos enchendo o carrinho de tudo aquilo que nos pareceu necessário para chegarmos sãs e salvos ao destino. Não foi preciso muito tempo para que o bólide ficasse a abarrotar de bolachas, batatas, gomas, pão, queijo e amendoins, bem como de uma quantidade satisfatória de bebida: 80 cervejas, três garrafas de Licor Beirão, uma garrafa de Dooleys e uma garrafa de Vodka de morango. Ah, claro, e incluímos ainda umas garrafitas de água na lista de compras, não fosse o carro precisar de beber. Nada mal, a lista de compras para a nossa carrinha!

Sim senhor, a coisa começava a compor-se. Como de costume, a cada da Ruru foi destacada para albergar os mantimentos da tropa e mantê-los fresquinhos até ao momento da partida. Ufa, foi uma trabalheira desgraçada, mas depois de algum tempo lá conseguimos enfiar tudo dentro do frigorífico. Ao olhar lá para dentro, confesso que até me emocionei, tal era a maravilha. Ora vejam lá:













(Nota mental: comprar frigorífico e negociar abastecimento vitalício de Buds lá para casa)

No dia seguinte, o despertador tocou às 12h00. Levantei-me com a pica toda, coisa muito pouco usual, fiz a mala e às 15h00 já estava a tocar à campainha da Ruru. Dali até à tarde ainda havia muito para fazer, nomeadamente, ir buscar as duas carrinhas que nos haviam de carregar até Barcelona. À primeira vista, e tratando-se de pessoas normais, a tarefa não parecia complicada: ir até à garagem do Rent-a-Car, entregar os documentos, deixar a caução e trazer as carrinhas para casa. No entanto, para as cabeças tresloucadas de Carlita, Ruru e Rui, a coisa não podia passar assim sem mais nem menos. Assim que o empregado nos pede a carta e o BI de duas pessoas, começamos a olhar uns para os outros e a patinar.
Rui: eh, pá, eu tenho o BI, mas a carta deve ter ficado em casa ou no carro.
Viramo-nos, então, para a menina que nos tinha guiado até ao local.
Ruru: pois, a minha carta está em casa.
O último reduto de esperança era a Carlita. (Pois, sim, confiem em mim, filhos!!)
Carlita: não há problema, eu tenho aqui a minha carta e o BI. Err… quer dizer… tem de estar válido, não tem? Ah, pois, então e o passaporte, pode ser? Sim? Óptimo, então ele está aqu… ah, em casa da Ruru!
Resultado? Temos de ligar ao Titi para ele se juntar a nós de carta e BI em riste e as gajas voltam a casa da Ruru. No regresso ao Rent-a-Car, por causa do caminho, do trânsito e da falta de alembradura para achar o caminho de volta, apanhámos um táxi.

Uns quantos minutos mais tarde, já cumpridas as formalidades, pudemos finalmente pôr as unhas nas carrinhas, demorando-nos na apreciação daquela que melhor nos convinha. “Ai, esta anda mais de certeza!”, animava-se um. “Pois, mas esta deve gastar menos e tem mais espaço”, notava o outro. “Hmm… está bem, tens razão. Vai esta”, concordámos.

Estava dado o tiro de partida para uma aventura louca!!

segunda-feira, abril 10, 2006

Brevemente num Blog perto de si

Amigos,

A Catalunha cheira a derrota, cheira a sonho por cumprir, cheira a esperanças deitadas por terra, cheira a lágrimas, cheira a estocada dolorosa nos corações benfiquistas. Mas, fora de Camp Nou, cheirou tudo a fiesta louca.

Desta viagem demente, ficaram muitos episódios para relatar. Tantos, e tão bons, que não me atrevo sequer a despejar o saco de uma assentada só. Como qualquer preciosa iguaria, as peripécias desta viagem deverão ser saboreadas com parcimónia. Em breve, terá início a empolgante série Diários de la Carrinha.